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| Ano 2013, a caminho da aldeia perto da Escócia |
Desemprego versus idade
A
minha irmã sempre foi muito estudiosa e por isso tem um doutoramento, um MBA, três mestrados, entre outros. Em 2011 viu-se desempregada já com uma idade
considerada “avançada” no mundo empresarial português. Candidatou-se a muitos
empregos no nosso país, sem sucesso. Até que o subsídio de desemprego terminou.
Planeamento
Foi
nesta fase que pensou em emigrar. Pensou na Nova Zelândia, mas acabou por
começar a candidatar-se a empregos em Inglaterra. Para isso apanhou um avião
até aquele país, comprou um telemóvel e respetivo cartão no aeroporto e marcou
encontro com um amigo português que já lá vivia para lhe pedir conselhos acerca
da melhor forma de se candidatar a empregos, bem como autorização para colocar
a morada dele no seu curriculum vitae. Nesse mesmo dia voltou para Portugal.
Execução do Plano
Após
esta ideia engenhosa, começou a enviar candidaturas com o número móvel que
tinha adquirido em Inglaterra e a morada “emprestada” do amigo. Em Portugal
atendia o seu telemóvel inglês, marcava a entrevista e de seguida apanhava um
avião. Até conseguir o seu primeiro emprego candidatou-se a quatro,
portanto fez o número correspondente de viagens. Foi selecionada para trabalhar
numa subsidiária de uma empresa multinacional, que ficava numa pequena aldeia perto
da Escócia. Tratava-se de um local muito bonito e muito frio. Ainda em Portugal,
alugou um pequeno aparthotel para iniciar a sua nova vida.
| O quarto do aparthotel onde a minha irmã se instalou |
A mudança para Inglaterra
A mudança não foi fácil. Teve que deixar a família em Portugal para ir viver sozinha num país onde nunca tinha estado. Fui com ela até Inglaterra para a ajudar a carregar todos os pertences (carregámos várias malas), e dar algum apoio. No entanto, ela teve que organizar tudo por si: criar uma conta bancária, descobrir onde estavam as lojas que necessitava para o dia-a-dia e por aí adiante. Naquela fase ainda não tinha carro, pelo que tinha que se deslocar a pé até ao local de trabalho em pleno Inverno, no meio do frio e da chuva. Recordo-me que no primeiro ano ela ter referido ter frieiras nos pés e ser a única estrangeira na empresa. Teve igualmente que se adaptar à língua. Apesar de saber falar inglês, a forma como se fala na Escócia é muito diferente do inglês que estamos habituados. Enfrentou constantamente o fato de estar sozinha num país estrangeiro e de não ter aquele apoio que existe quando vivemos perto da família e amigos. Em suma, foram inúmeros os desafios que teve que ir superando. Mas ao fim de um ano já tinha saído do aparthotel e já estava a viver num apartamento alugado, decorado com mobília comprada em segunda mão. Foi uma grande conquista!
Outras Batalhas
Contudo,
a primeira empresa onde trabalhava fechou três anos após ter chegado à aldeia
perto da Escócia. Foi mais uma batalha a vencer....mas após duas entrevistas
conseguiu outro posto numa outra multinacional. Estas transições profissionais
implicaram reorganizações porque teve que ir mudando de cidade e
consequentemente de casa. Fez as mudanças também sozinha. Se foi fácil? Não
foi... mas atualmente está a trabalhar num cargo que a satisfaz e onde se revê.
O ambiente é multicultural, lá também trabalham brasileiros, espanhóis e
alemães, entre outros. Neste momento já não se sente a “estrangeira” porque há
inúmeros colegas emigrantes.
A fonte de inspiração
O
relato desta história tem como objetivo mostrar que quando nos vemos num percurso
onde não se há uma saída aparente, podem tentar-se outras soluções. A ideia de
ir até Inglaterra para comprar um
telemóvel e respetivo cartão, bem como conseguir uma morada inglesa, foi
muito engenhosa. Confesso que na altura não me apercebi o quão inteligente foi,
mas depois de ter refletido concluí que vale a pena ser relatada. Quero igualmente
ressaltar que a vivência num país estrangeiro nem sempre foi uma situação fácil,
exigiu muita energia e resiliência sob vários níveis. Ainda hoje exige. A forma
como conseguiu vencer o desemprego numa idade considerada “ultrapassada” no
nosso país, apesar dos seu excelente historial académico, é inspiradora para
outras mulheres que possam estar a passar por situações menos positivas.

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