O
assédio moral não é um tema muito falado no nosso país e raramente chega às
notícias ou aos tribunais. Mas
no meio empresarial é muito comum. Mais comum do que se pensaria.
A relevância do assunto
Resolvi falar acerca deste assunto porque a pandemia traz uma crise financeira
e o medo de se ser despedido. Paralelamente, o confinamento obrigatório deve
ter trazido “à tona da água” muitas inseguranças e ansiedades pessoais. Esta
instabilidade sob o ponto de vista mental, adicionada ao medo do despedimento
poderá gerar um aumento deste tipo de casos.
A estatística
Outro
dos motivos que me levaram a escrever sobre assédio moral é o fato do género
ter influência na estatística: a
percentagem de mulheres vitimas de assédio moral é superior à dos homens.
Em conversa com um advogado especialista em Direito do Trabalho soube
inclusivamente que são as mulheres em posições de poder que mais perpetram atos
de assédio moral sobre outras mulheres. Infelizmente, as mulheres tratam mal as
outras mulheres.
A "fragilidade" feminina
Resolvi
também alertar para esta situação porque acredito que as mulheres que vivem
sozinhas ou que apresentam algum tipo de fragilidade sob o ponto de vista
social são os alvos mais fáceis. Porque precisam muito de trabalhar para ter dinheiro
para pagar as contas e comer. E naturalmente a tendência para ficarem caladas e
não se queixarem é maior por medo ou de perderem o emprego ou pela eventual
consequência dos atos de agressividade aumentarem. Ao
longo dos anos em que tenho estado a trabalhar fui também alvo de assédio
moral. Nem sabia bem que aquilo que me estavam a fazer tinha um nome.
Exemplos de assédio moral
Ser
exposto a situações humilhantes, tanto publicamente como em privado. Estar
recorrentemente a criticar e a diminuir o trabalho realizado. A título de
exemplo, em reuniões é muito intimidante e gerador dum profundo mau estar.
Atribuir
tarefas inferiores ou superiores às suas competências.
Pressionar
a pessoa para que esta não exija os seus direitos.
Mas
existem muitas mais.....
A minha experiência
No
meu caso pessoal, fui sendo alvo de várias situações e só destaco uma que na
altura me chocou e ficou gravada na minha mente: informarem-me numa avaliação
anual que eu era tão insegura que nem conseguia entrar sozinha nos encontros
organizados pela empresa.
Efeitos do assédio moral
O
assédio moral pode destruir paulatinamente a autoestima. Apesar de sabermos que
valemos muito mais do que nos fazem sentir diariamente e que aquilo que nos
dizem é uma irrealidade, há um grande perigo em estar sujeito a este tipo de
pressão ao longo dos anos. Quando se está a trabalhar, o fato de nunca se saber
o que nos pode acontecer daí a um minuto (quando é que a próxima “bomba”
rebenta), gera uma tensão interior muito grande. Após alguns meses, as
consequências começam a fazer-se sentir no nosso interior.
Sugestões para ultrapassar o assédio
As
soluções não são fáceis. Recorrer aos Recursos Humanos poder-se-á revelar
inútil e ainda poderá aumentar os atos de assédio. E quando esta última
situação acontece, manter-se num ambiente constante de guerrilha durante uma
semana pode parecer fácil, mas conviver neste contexto vários meses é
mentalmente esgotante.
Deixo-lhe
algumas sugestões, que poderá adotar caso se veja numa situação de assédio:
Se
tiver coragem e considerar que poderá inverter a situação, aborde diretamente o
assediador, confrontando-o com a situação.
Pesquise
outras oportunidades profisisonais dentro ou fora da empresa. Quando o fizer
nunca diga mal de ninguém. Alternativamente, informe que sente necessidade de “abraçar
um novo desafio profissional”.
No
local de trabalho, tenha cuidado com o que diz naqueles momentos de maior
desamparo em que só lhe apetece dizer mal do assediador. Lembre-se que podem
haver colegas que parecem ser inocentes ou seus “amigos” mas podem querer
aproveitar os seus lamentos para benefício próprio...indo contar tudo o que
disse ao assediador para ficar nas suas boas graças. Durante todos os anos em
que trabalhei já testemunhei este tipo de cenários.
Marque
uma reunião com um advogado especialista em direito do trabalho e peça-lhe
ajuda ou conselhos para lidar com esta situação. Caso não tenha recursos
financeiros, pode também entrar em contacto com o ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho).
Tente
sempre manter uma postura calma, ponderada e focada nas tarefas que tem que
desempenhar. Mais que as palavras do assediador, os seus atos e o seu trabalho
falam por si.
Mantenha
ou crie atividades sociais fora do local de trabalho. Ajudam-na a abstrair-se
do que lhe está a acontecer e a recarregar baterias. Faça algo que lhe dê prazer: caminhar, ir ao cinema, comer um bom
brunch com uma amiga, jantar fora. Pessoalmente, quando passo por situações
mais desgastantes faço massagens para relaxar.
Procure
ajuda de um psicólogo. Ajuda muito falar com profissionais que também já estão
habituados a acompanhar este tipo de situações.
Desabafe
com os seus amigos. Pode inclusivamente ter alguém na sua esfera de amizades
que já passou por uma situação semelhante e que a poderá ajudar.
Caso
esteja a passar por um caso de assédio moral, lembre-se que não é a única. Há
outras mulheres na mesma situação.. E que nada dura para sempre: nem as coisa
boas, nem as coisas más. Mas há que ter muita força. Por fim, partilho
uma notícia da revista Exame (versão brasileira), com dicas para a
ajudar a ultrapassar este momento. Espero ter ajudado😀!

Muito bom! Obrigada
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