Viver sozinha não é um bicho de sete cabeças



Viver sozinha pode parecer um bicho de sete cabeças mas não o é. Vivo sozinha desde 2012, depois de um longo período de vivência em companhia. 

Os primeiros meses de uma separação são sempre muito difíceis, alguém terá que mudar de casa, (re) arrumar tudo, tratar de burocracia sem fim à vista, dar atenção às crianças, explicar-se à família, ouvir opiniões que não se pediram…uma lista infindável de coisas!!!!

Só após esta primeira fase é que começamos a respirar novamente e apercebemo-nos que começamos a falar no singular (eu quero, eu faço, eu vou), tudo parece estranho. Para começar, os amigos…estão todos “acompanhados”, têm filhos e atividades em família ao fim-de-semana. A nossa própria família continua a ser boa companhia, mas por vezes sentimos que falta ali alguma coisa, queremos ter outro tipo de conversas e de apoio, alguém que esteja mais perto do ser humano que nos estamos a tornar.

Eu passei por essa fase e tive a sorte de nos meus primeiros tempos de “nova solteira” ter tido uma amiga disponível para me acompanhar. Fizemos parelha nuns belos jantares, fomos amiúde ao cinema (ambas gostamos de comédia francesa) e conversámos muito. 

Fomos uma excelente companhia uma para a outra e quero deixar neste espaço o meu agradecimento público à Manuela, pelo apoio que sempre me deu. 

Mas como nem todos temos a sorte de ter uma Manuela a cruzar-se no nosso caminho naquele momento certo, há que desbravar novos percursos e estrear amizades. E como é que isso se faz? Esse será um dos meus temas neste espaço de partilha.  

Comentários

  1. Ola Natalia.

    Descobrir que estamos novamente "solteiras" pode ser uma libertacao mas tambem um enorme espaco vazio, que muitos que passam por isto, tentam preencher o mais depressas possivel. Isto resulta quase sempre de uma escolha errada. Sair de uma relacao que nao deu certo e rapidamente meter-se noutra, normalmente nao e a decisao mais acertada. Este podera ser um tema a abordar numa das proximas intervencoes.

    Outro desafio que se coloca a uma recem-divorciada sao as ferias. Como passar as ferias, onde e com quem?! Normalmente a familia esquece-se de nos, os amigos que ainda restam tem os seus planos onde nos nao entramos (ou se esquecem que agora estamos sos e precisamos de companhia). O que fazer??

    Infelizmente na altura optei por nao ir de ferias. Caso fosse sozinha pensei (e ainda hoje penso, talvez erradamente.....) que todas as familias presentes no resort olhariam para mim como " uma fulana que anda a procura de companhia masculina". Estes pensamentos sao errados, pois o que os outros pensam nao deveria ser importante para o nosso bem estar, mas a verdade e que me afectam. E eu vou para um resort apenas para apanhar sol e gozar o mar!! Talvez este possa ser outro tema para discussao neste blog....

    Fica bem Natalia ;)

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  2. Olá Natália,

    Acho que as pessoas deveriam em primeiro lugar aprender a viver sozinhas. Saírem "cedo" da casa dos pais e viverem algum tempo sozinhas antes de ir viver com um companheiro ou companheira. Na minha opinião ajuda a pessoa a conhecer-se muito melhor, a gostar mais dela própria e a ter mais autoconfiança.

    Em segundo lugar penso que as pessoas deveriam estar "sozinhas" periodicamente. Quero dizer com isto que, mesmo estando numa relação boa e saudável, devemos continuar a sair e a ter atividades com as nossas amigas, amigos ou sozinhas, sem a presença do companheiro ou companheira. Estas atividades podem contribuir para enriquecer a relação, diminuir ou relativizar pequenos atritos e ter tempo e espaço para "respirar". Adicionalmente, tem como efeito secundário, que na eventualidade de se ficar mesmo sozinha seja muito mais fácil.

    Há muito aspetos positivos em viver sozinha e esta situação não deve ser encarada como um estigma mas antes aproveitada ao máximo para ter experiência únicas e enriquecedoras ou... simplesmente fazer o que nos apetece sem ter que dar satisfações a ninguém, lol

    Parabéns pelo blog e pela tua coragem! :)

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