O peso da censura social nas nossas escolhas



A educação parental que muitas de nós tivemos, profundamente tradicional, foi orientada pela censura social … ”o que é os vizinhos vão dizer!?”….”quando o teu tio (primo, padrinho, etc.) souber disso vai logo dizer isto e aquilo…que vergonha!!!”  


Os meus pais são oriundos de um meio rural, cresceram no ambiente do António Salazar. Nessa altura os costumes eram orientados e controlados pela religião cristã (apresento-vos um artigo do Expresso acerca de Salazar e dos costumes). 


Além disso, havia e ainda hoje há para alguns o “fado”, um fatalismo com que se vê o mundo e onde está implícito que tudo deverá correr mal. Se correr bem é uma sorte do acaso...estou a lembrar-me uma frase que já ouvi várias vezes ilustrativa do fator Sorte: “Hhhaaa....ele já “apanhou” um empregozito? Olha que sorte que ele teve!!!”


Enfim, todo este passado “formatou” a atitude das pessoas e nós, aquelas que ainda cresceram à sombra desta herança social, acabámos por sentir a necessidade de nos libertarmos do “fado” português. A experiência hoje diz-nos que não é com a “boleia” da sorte que as coisas correm bem, é com planeamento, trabalho, perseverança, empenho e dedicação.


No entanto, tenho noção que apesar da crescente independência que estamos a conquistar, o hábito muito português de criticar quem é diferente ou quem quer fazer algo de forma alternativa ainda se mantém, muitas vezes motivado por um sentimento disfarçado de inveja de quem não está satisfeito consigo mesmo.


A censura social causa embaraço e é limitadora. Pensa-se frequentemente que se gostaria de fazer algo (por exemplo inscrever-se num grupo de dança ou saltar de paraquedas), mas o peso da tradição acompanha o medo de ser rejeitado e criticado em determinado grupo (que pode ser a própria família). Esta limitação ou peso acaba por minar as iniciativas de crescimento e desenvolvimento pessoal. 


Já tinha pensado em escrever sobre este tema e embalada na leitura do livro “Ousar Ser” escrito pela Isabel Abecassis Empis, inspirei-me. 

Aconselho este livro a quem vive dividida entre o que é a censura social e o que gostaria de ser ou fazer, irá com certeza ajudá-la a perceber a dualidade e eventualmente a ultrapassar esta limitação.     

  
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