Hoje
resolvi abordar um tema que pouco se fala mas que tem ganho paulatinamente uma
maior relevância no nosso dia-a-dia. A saúde mental e a saúde física caminham
de mãos dadas. Este assunto ganha uma maior relevância nesta fase da quarentena
e do medo da propagação do vírus. Temos
uma dor de costas. Caímos e magoamos-nos. Ficamos com gripe. Em todas estas
situações a nossa tendência natural é ir ao médico, caso seja necessário.
Situações mentalmente desgastantes
No
entanto, também enfrentamos situações que mentalmente nos desgastam. Nalgumas a questão é de tal forma “dura” que nos deixa sem forças para nos levantarmos da
cama de manhã. Noutras sentimos suores frios só com a lembrança de determinado
acontecimento que já se passou ou que se poderá repetir. As insónias chegam. A
ansiedade instala-se. Nestas circunstâncias a tendência da maioria das pessoas
não é recorrer ao médico. Neste caso seria o psicólogo. A “solução” normalmente
é a de falar com um amiga ou companheiro para desabafar e lamentar-se. Ou
então, pela vergonha e por receio de ouvir juízos de valor por sermos “fracos”,
não se conta a ninguém.
Quando o nosso corpo se queixa
Há
momentos que geram uma pressão tão grande que nem se consegue chorar para
diminuir a tensão. E quando os “pequenos momentos” se vão juntando dentro de
nós, corremos o risco de chegar a uma fase em que nos sentimos perdidos e sem
rumo. Inclusivé o nosso corpo começa a “queixar-se”. As dores de cabeça e de
costas, a falta de sono, entre outras manifestações corporais, são muitas vezes
fruto das pressões diárias a que somos sujeitos e que não estamos a conseguir
lidar.
Portugueses consomem muitos ansióliticos
Apesar
dos alertas interiores que vamos recebendo, ainda há a tendência para ignorar a
nossa mente. Não vamos ao psicólogo quando já não conseguimos dormir há
semanas, apesar de sabermos, lá no fundo, que a falta de descanso se deve à
incapacidade de resolver as nossas questões interiores. Consultamos o médico de clínica
geral e na generalidade sai-se de lá com uma receita médica. Curiosamente, há
uns dias ouvi nas notícias de rádio que os portugueses
consomem muitos ansióliticos.
Assumir que se faz sessões de terapia não é comum
Socialmente,
dizer que se vai ao psicólogo não é comum. Há o receio de sermos apelidados de
malucos ou incapazes de resolver as nossas questões interiores. De sermos
vistos como “pessoas fracas”. Desta forma, só partilhamos com as pessoas mais
próximas que consultamos esta especialidade médica.
Eu faço sessões de terapia!
Eu faço sessões de terapia há já alguns anos e também tenho feito parte daquele grupo que de pessoas que assume que o faz num círculo muito restrito. As inúmeras horas que tenho passado a falar sobre mim ajudam-me a compreender o meu interior e a arrumar as várias situações desgastantes que tenho enfrentado. Pessoalmente, acho que o exercício físico e as sessões de terapia que faço são os meus “comprimidos”. Hoje decidi assumir publicamente que faço sessões de terapia para, como costumo dizer, ir arrumando nas caixinhas tudo o que me vai acontecendo e que é menos positivo. Deixo a sugestão: uma vez que os meus desafios não são diferentes dos das outras pessoas, experimente porque o resultado é muito compensador a longo prazo. Esta compensação verificar-se-á tanto o ponto de vista mental como no da preservação da nossa saúde física. Porque saúde mental e saúde física andam de mãos dadas.Sessões de terapia on-line
Atualmente
já existem inúmeros profissionais nesta área a fazerem sessões on-line. É reconfortante
porque mantemos-nos relaxadamente no nosso ambiente a falar do que nos preocupa ou
tira o sono. Experimente! E mesmo que tenha vergonha de admitir que o faz, não conte
a ninguém. Reconhecer que necessita de ajuda e ter a proatividade de a procurar
é um enorme acto de coragem!

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