O Medo da Mudança

Já passaram cerca de dois anos desde que interrompi as minhas “divagações” acerca da vida. Na altura estava a passar por uma profunda transformação na esfera profissional e o envolvimento emocional do novo desafio foi tão grande que deixei de ter energia para continuar a escrever. A vida é isto, por vezes os acontecimentos do dia-a-dia desfocam-nos de outros objetivos. 

Agora, mais estabilizada, resolvi retomar a escrita e voltar a dissertar acerca dos acontecimentos que me rodeiam, que são comuns a tantas outras pessoas. O  tema que hoje escolhi é o Medo da Mudança, um sentimento que todos partilham nalgum momento, apesar de muitos não o confessarem. 

 

Efetivamente, a escolha deste tema prende-se com o fato de durante e depois da “crise” COVID os nossos medos terem aumentado pelos mais diversos motivos (Medo que os parentes morram, Medo de ser despedido, Medo de ficar sozinha; Medo de não ter dinheiro). Por esse motivo, resolvi partilhar um episódio de Medo que experienciei.

 

Há uns anos resolvi sair da Empresa onde trabalhava. Apesar da decisão de sair ter sido tomada num momento de pressão, já tinha percebido há mais de um ano que a minha estadia naquela corporação seria de curto prazo. Mas o Medo apareceu após ter tomado tomado consciência que o ordenado certinho que recebia na minha conta bancária iria terminar brevemente. Para mim, tratava-se de uma mudança radical: vivendo sozinha, dependia do meu próprio sustento. Se eu não me sustentar, mais ninguém o fará por mim. “E agora?”, pensei eu....

 

No entanto, antes de decidir sair da empresa onde trabalhava, já tinha começado a pesquisar opções. Na altura pensei que não queria voltar a trabalhar numa outra corporação. Tinha a consciência que não queria voltar a passar pelos momentos de desgaste e profunda insatisfação que tinha sentido. Paralelamente, sabia que a minha idade, muito perto dos 50, não era minimamente apelativa para qualquer Empresa.  Por todos estes motivos decidi lançar-me no Empreendedorismo, criando o meu próprio Projeto. 

 

No dia em que tive a minha primeira reunião com os Recursos Humanos para iniciar o processo de saída da Empresa decidi visitar uma feira de franchising. Anteriormente tinha recebido um convite e achei que seria um primeiro passo em direção ao meu objetivo. Quando cheguei ao evento reencontrei uma empresa de franchising com quem já me tinha reunido no passado, aquando da pesquisa de opções para o meu futuro próximo. Na altura informaram-me que havia uma vaga para criar uma Empresa no concelho da minha residência. Aceitei a oferta e a partir daí começámos a ter reuniões de planeamento.  

 

Porém, a criação de uma Empresa levanta muitas dúvidas pessoais.Serei capaz?”...”As estatísticas demonstram que no primeiro ano de vida as empresas morrem. Será que vou conseguir contrariar os números?”...”nunca vivi no mundo do empreendedorismo...não tenho experiência”...”conseguirei viver financeiramente desta Empresa?

 

Além de todas estas questões que habitavam a minha mente de forma bastante consistente, haviam outros Medos: os últimos meses que tinha passado na Empresa onde trabalhava abalaram a minha autoestima e a confiança em mim própria. Consequentemente, estava a iniciar um projeto que era crítico numa fase em que estava mentalmente fragilizada e com poucas forças. 

 

Hoje, decorridos quase 3 anos após a criação da minha Empresa, continuo “de pé” e já consigo viver financeiramente dos proveitos gerados. Se é muito dinheiro? Não, porque o meu principal objetivo é trabalhar até ter um cash flow (dinheiro disponível), que considero robusto para enfrentar fases de crise. Mas com tempo chegarei a uma situação económica mais desafogada.

 

Durante estes três anos passei pela pandemia COVID, que durou cerca de dois. Atualmente, estamos a passar por uma guerra que tem contribuido para a inflação. Estas situações trouxeram Medo (principalmente a do COVID) e pontualmente quebras no negócio, mas apesar disso tenho conseguido manter-me à tona de água.

 

Futuramente explicarei como cheguei até aqui. O objetivo do post de  hoje foi falar-vos do Medo. Um sentimento comum a todos, de que não temos que ter vergonha. Quem diz que não tem Medo, está seguramente a mentir ou em negação interior. Ao reconhecermos a sua existência podemos criar condições para o ultrapassar. A preparação é a melhor “receita” para enfrentar a ansiedade gerada pelo temor. Na próxima publicação explicar-vos-ei o que fiz e como consegui que o Medo não me dominasse, apesar de estar sempre, sempre presente.

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